Croqui Final realizado por Bianca Vieira dos Reis
Resenha por Juliana Santos Foltran
Conto D’Escárnio / Textos Grotescos, originalmente de 1990, é o penúltimo livro da série suja de Hilda Hilst publicado pela Editora Globo em 2008. Uma obra de fácil leitura que, por muitas vezes, interagem com o leitor e lhe dá um banho de obscenidades para quem gosta do humor realista e sujo de Hilst.
Não atribuído de espaço e de tempo, a história entende-se passar em meados do século XX, em São Paulo,
cidade natal da autora. Crasso, o protagonista, é o estereótipo de homem malandro e garanhão que só pensa em transar com todas as mulheres que o cerca; Dentre elas, se destacam-se Otávia , a mulher general, e Clódia, sua eterna louca. Entre suas explicações de como conseguiu o coito a primeira mulher, explica a peculiaridade da morte de seu Tio Vlad, um homem espirituoso que morreu cheirando os fundos de um coroinha. Também frisa a história de Liló, um gatuno “lambe-fundo” que desvirginava moças em um bordel a 30 quilômetros da cidade.
Crasso têm inimigos como Hans Haeckel, um escritor de crônicas que o protagonista julga charlatão por
escrever e conquistar as mulheres e também tece relações de amor e prazer com Clódia, uma ex-homosexual que se internou com sua cara por desenhar, antes vaginas e agora, pênis. E, mandando cartas de sujas para sua amante no hospício que Crasso desatou a escrever crônicas e contos, realizando um sonho repreendido.
Sem pudor nas palavras, o livro e repleto de palavrões e expressões de baixo calão. Mostra o lado sacana
dos homens que só pensam no coito bruto, ignorando o amor. Também consegue cativar por ser o desejo interno das mulheres: um homem que lhe deseja da ponta dos pés até os cabelos. Entrelaçando seus relatos, há histórias avulsas mostrando sua indignação com a igreja, com as mulheres instruídas e seu passado conturbado. Há um manual para viver uma vida sem arrependimentos, um teatro de loucos e também inúmeros contos e crônicas de Crasso e Hans. A fluidez deixa a leitura terna e muito rápida, desejando relê-lo para capturar os menores detalhes. Para quem gosta de realisto, eis o livro perfeito.
Com coragem, Hilda quebrou tabu colocando em uma só obra questionamentos sexuais, religiosos e sociais,
embalados apenas por um personagem. Ela consegue escrever aquilo que todos pensamos e nunca tivemos
culhão para dizer.